Desemprego chega a 11,4 milhões de pessoas no país e é recorde, diz IBGE

 

Desempregados ainda enfrentam dificuldades para obter o seguro.
Tempo médio para recolocação é de 8 meses, segundo instituto.

No trimestre encerrado em abril, a taxa de desemprego no Brasil bateu um novo recorde. E, além de não conseguir uma ocupação, muitos trabalhadores têm enfrentado o desafio de receber o seguro-desemprego.

Imagine a população da cidade de São Paulo inteira na fila do desemprego. Pois essa é a praticamente quantidade de gente sem trabalho no país: 11,4 milhões, segundo o IBGE.

A taxa de desocupação de 11,2% no trimestre encerrado em abril é a maior desde que essa medição começou a ser feita em 2012.

E quem for demitido ainda corre o risco de demorar mais do que os 30 dias de praxe para receber o seguro-desemprego. É o que conta o responsável pela área de seguro-desemprego da Secretaria de Emprego e Trabalho do estado de São Paulo.

O motivo, segundo ele, são as atualizações no sistema do Ministério do Trabalho.

“Houve um cruzamento nas informações da Caixa Econômica Federal e com a Previdência Social. Em torno de quase um terço do que a gente recepciona de seguro tem dado problema”, explica Miguel Sanchez.

Neste processo podem aparecer algumas notificações que bloqueiam a liberação do seguro-desemprego do trabalhador. Aí, é preciso recorrer e esse processo tem sido demorado. É preciso ter muita paciência.

Dona Elizabeth está tentando receber o seguro-desemprego desde abril. O benefício dela está bloqueado e até agora ela não conseguiu agendar entrevista no Ministério do Trabalho para entender o que aconteceu.

Nesta terça-feira (31), durante toda a tarde, a página do Ministério do Trabalho na internet para fazer o agendamento em São Paulo estava com a mensagem “Serviço não disponível”.

“Só vai ter vaga para outubro para eles poderem me atender lá, antes disso não tem como. Aí até lá não tem salário, não tem emprego, nada, nada. Aí tem que se virar, pedir emprestado para filho, para pai, para mãe, é humilhante”, disse.

“Ou seja, é um benefício que ele deveria receber com 30 dias quando ele deu entrada, se tudo tivesse normal, às vezes ele pode levar seis, sete meses para receber”, diz Miguel.

É quase o que demora para conseguir uma nova vaga no mercado de trabalho. Com a crise, são oito meses para se recolocar segundo a última pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito.

Muita gente nem seguro-desemprego tem mais. Desde janeiro, quase três milhões pessoas receberam a última parcela. É o caso de Gisele.

“A gente tem que pensar positivo, bola prá frente, que a gene consegue, Acho que é só o momento, agora, e tudo vai mudar”, disse.

A assessoria do Ministério do Trabalho afirma que o agendamento depende do número de vagas disponíveis em cada unidade de atendimento. E as vagas, segundo o ministério, são abertas no sistema todos os dias.

Sobre o cruzamento de dados, o ministério disse que tem feito isso para evitar fraudes. O ministério admite que o bloqueio atrasa a liberação do seguro. E recomenda que, em casos de urgência, o trabalhador vá diretamente a uma agência do Ministério do Trabalho.

 

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